Trends mandam no consumo: por que o brasileiro compra mais pelo que vê do que pelo que precisa

O consumo no Brasil deixou de ser apenas uma decisão racional e passou a ser, cada vez mais, um reflexo do que aparece nas telas. Tendências digitais, produtos virais e conteúdos vistos nas redes sociais estão moldando o desejo de compra de mais da metade dos brasileiros — um comportamento que levanta alertas sobre impulsividade, influência algorítmica e o poder das plataformas.

Hoje, o consumidor não entra em uma loja apenas para comprar. Ele chega influenciado por vídeos curtos, recomendações de influenciadores, avaliações de desconhecidos e pelo medo de “ficar de fora” da próxima tendência. O ambiente digital deixou de ser vitrine e passou a funcionar como um gatilho emocional permanente.

A jornada de compra também se tornou híbrida. Pesquisar online, comparar preços no celular dentro da loja física e checar a reputação de marcas virou rotina. O brasileiro está conectado, mas não necessariamente mais consciente. Embora busque referências e avaliações, muitos ainda admitem que produtos que viralizam aumentam significativamente a vontade de consumir, mesmo sem necessidade real.

Outro ponto crítico é a reputação digital. Marketplaces e lojas virtuais com histórico negativo perdem espaço rapidamente. A confiança, construída por avaliações e experiências compartilhadas, pesa mais do que promoções agressivas. Em um cenário de inflação persistente e renda pressionada, errar na escolha deixou de ser apenas frustração — virou prejuízo.

No fim das contas, as trends não apenas influenciam: elas conduzem decisões. O desafio para o consumidor brasileiro é separar desejo induzido de necessidade real. Já para as marcas, a lição é clara: não basta aparecer no feed — é preciso entregar experiência, credibilidade e coerência entre o digital e o físico.

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