Mercado vê comunicado do BC sinalizar queda da Selic no 1º trimestre de 2026
O comunicado divulgado pelo Banco Central após a decisão de manter a Selic em 15% ao ano foi recebido pelos analistas como um indicativo de que o ciclo de cortes de juros pode começar já no primeiro trimestre de 2026. A avaliação é praticamente consensual entre economistas, que enxergaram ajustes sutis no texto como sinais de mudança no tom da autoridade monetária.
Embora o Copom tenha decidido pela manutenção da taxa básica e reiterado preocupações com a inflação, o mercado interpretou que a redação da nota veio menos restritiva do que nas reuniões anteriores. Para a maior parte dos consultores, a comunicação sugere que o BC considera o cenário inflacionário mais favorável, ainda que não pronto para permitir um corte imediato.
Apostas no mercado financeiro
Nas mesas de operação, cresceu a visão de que o primeiro corte da Selic deve ocorrer em março de 2026. Segundo operadores de juros futuros, a leitura do comunicado reforçou a expectativa já embutida nas curvas de derivativos, que mostram chances cada vez maiores de flexibilização monetária no início do próximo ano.
Há, porém, uma parcela menor do mercado que não descarta a possibilidade de uma redução já na reunião de janeiro. A aposta é sustentada por alguns economistas que consideram que a inflação recente tem mostrado desaceleração suficiente para permitir um movimento mais cedo — desde que o BC sinalize isso nas próximas comunicações.
Leitura dos analistas
Consultorias e bancos destacaram que o comunicado do Copom trouxe mudanças sutis, mas relevantes, na linguagem. Para alguns analistas, a alteração de expressões que anteriormente indicavam maior preocupação com a inflação foi o elemento que despertou a percepção de proximidade do ciclo de queda de juros.
Além disso, houve observação de que o BC reconheceu avanços na dinâmica de preços, mesmo que ainda diga precisar de mais confiança para iniciar o processo de flexibilização. Essa combinação de cautela com reconhecimento de melhora foi interpretada como um “sinal de porta entreaberta” para cortes no início de 2026.
Cenário ainda desafiador
Apesar do otimismo crescente, economistas alertam que a decisão depende da evolução dos indicadores de inflação, da atividade econômica e das condições fiscais. A comunicação do BC mantém o tom de vigilância, ressaltando que o ambiente ainda exige cuidado e acompanhamento constante.
Mesmo assim, o comunicado foi suficiente para que o mercado reforçasse a visão de que a era da Selic a 15% pode estar próxima do fim — com a virada esperada já nos primeiros meses do próximo ano.



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