Lula pressiona Europa e expõe impasse histórico do acordo Mercosul–UE
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia voltou ao centro do debate internacional — desta vez, com um recado direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: falta coragem política aos líderes europeus. A declaração, feita durante a cúpula do Mercosul, não foi apenas diplomática. Foi um aviso.
Lula escancarou o que muitos negociadores evitam dizer em público: o acordo está tecnicamente pronto, mas segue travado por interesses internos da Europa, especialmente pressões de setores agrícolas e disputas políticas domésticas. Enquanto isso, países do Mercosul acumulam frustração e oportunidades perdidas.
Ao cobrar decisão, o presidente brasileiro tenta reposicionar o Brasil como ator central no comércio global e defensor do multilateralismo em um mundo cada vez mais protecionista. A mensagem é clara: não faz sentido discutir livre comércio em discursos enquanto se empurra indefinidamente um acordo que envolve centenas de milhões de consumidores.
A promessa europeia de que a assinatura pode ocorrer nos próximos meses soa, para muitos, como mais um capítulo de adiamento elegante. Não é a primeira vez que datas são ventiladas sem resultado concreto. O ceticismo cresce à medida que o relógio avança e a negociação completa 26 anos.
O impasse revela um paradoxo europeu: ao mesmo tempo em que a UE cobra compromissos ambientais e regras rígidas, hesita em assumir riscos políticos internos para fechar um dos maiores acordos comerciais do mundo. Para o Mercosul, a demora já deixou de ser apenas técnica — virou símbolo de desequilíbrio nas relações.
Se o acordo sair do papel, será histórico. Se não, ficará marcado como um dos maiores exemplos de como a falta de decisão política pode inviabilizar avanços estratégicos. A cobrança de Lula, mais do que pressão, é um teste de credibilidade para a União Europeia.



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