Itália freia acordo Mercosul–UE e diz que assinatura agora seria “prematura”
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que considera prematura a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, reforçando as resistências dentro do bloco europeu ao avanço do tratado negociado há mais de duas décadas.
Em discurso no Parlamento italiano, Meloni destacou que o acordo ainda precisa de garantias claras de reciprocidade, especialmente para proteger o setor agrícola europeu, que teme concorrência desleal com produtos importados dos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Segundo a premiê, a posição do governo italiano não representa um veto definitivo, mas sim a necessidade de aprofundar as discussões e concluir um pacote de medidas de salvaguarda antes de qualquer assinatura. Meloni também ressaltou a importância de dialogar com produtores rurais italianos, que pressionam por regras ambientais e sanitárias equivalentes às exigidas dentro da União Europeia.
A declaração ocorre em meio à expectativa de que a Comissão Europeia avançasse com a formalização do acordo ainda neste ano. No entanto, a resistência italiana se soma à da França, que também defende mais proteções ao setor agrícola, aumentando a incerteza sobre o cronograma de aprovação.
Enquanto países como Alemanha e Espanha defendem o tratado como estratégico para ampliar exportações e reduzir dependências comerciais, o impasse evidencia as divisões internas da UE e pode resultar em novo adiamento da assinatura do acordo com o Mercosul.



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