Acordo Mercosul–UE segue como melhor caminho para os blocos, apesar de impasses políticos
Mesmo após sucessivos adiamentos e resistências internas, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia continua sendo considerado a melhor alternativa estratégica para os dois blocos. A avaliação é de analistas econômicos, que veem no tratado uma resposta importante às mudanças no comércio global e ao avanço do protecionismo em diversas regiões do mundo.
Negociado há mais de duas décadas, o acordo Mercosul–UE prevê a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores. O objetivo central é a redução de tarifas e barreiras comerciais, facilitando o fluxo de produtos industriais, agrícolas e serviços entre a América do Sul e a Europa.
Segundo a análise, o Mercosul é hoje um dos blocos mais fechados do mundo, com tarifas externas elevadas e baixa integração com grandes mercados globais. Nesse contexto, a parceria com a União Europeia surge como uma oportunidade para ampliar exportações, diversificar destinos comerciais e aumentar a competitividade das economias sul-americanas.
Do lado europeu, o acordo também é visto como estratégico. Em um cenário de tensões geopolíticas e disputas comerciais, a aproximação com o Mercosul permitiria à União Europeia reduzir dependências, fortalecer alianças políticas e garantir acesso a mercados e matérias-primas relevantes.
Os entraves, porém, seguem principalmente no campo político. Países europeus, como França e Itália, demonstram preocupação com o impacto do acordo sobre seus produtores rurais, temendo concorrência de produtos agrícolas sul-americanos. Essas resistências internas têm impedido a assinatura formal do tratado, mesmo após a conclusão técnica das negociações.
Ainda assim, especialistas avaliam que alternativas ao acordo seriam menos vantajosas. A aposta em negociações bilaterais isoladas poderia enfraquecer o Mercosul como bloco e aumentar a dependência de parceiros maiores, reduzindo o poder de barganha dos países sul-americanos no comércio internacional.
Diante disso, a análise conclui que, apesar dos obstáculos e do desgaste político, o acordo Mercosul–União Europeia permanece como a opção mais sólida para promover integração econômica, crescimento e maior previsibilidade nas relações comerciais entre os dois blocos.



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