⚠️ ABPA alerta: Mercosul deve responder com reciprocidade se salvaguardas da UE travarem exportações

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que os países do Mercosul devem **adotar medidas de reciprocidade caso as salvaguardas propostas pela União Europeia (UE) acabem impedindo o livre comércio entre os blocos, mesmo após a entrada em vigor do acordo comercial. 

Santin explicou, em entrevista à CNN Money, que a reação dependerá da real aplicação e respeito ao livre comércio por parte da UE, sem práticas protecionistas. Caso isso não ocorra, segundo ele, os governos do Mercosul precisam agir em conjunto para estabelecer salvaguardas equivalentes e postura recíproca. 

O executivo enfatizou, no entanto, que ainda é cedo para afirmar se as salvaguardas europeias terão impacto negativo no acordo, preferindo aguardar os detalhes finais do texto negociado. Ele também apontou que diversos fatores, como inflação europeia, custos de produção e questões sanitárias nos rebanhos, podem influenciar o fluxo comercial. 

Na prática, as salvaguardas aprovadas pelo Parlamento Europeu permitem que a UE suspenda temporariamente preferências tarifárias sobre produtos agrícolas considerados sensíveis (como carne bovina e aves), caso importações cresçam mais de 5% ao longo de três anos — o que reduziria barreiras à proteção dos produtores europeus. 

Além disso, o texto prevê investigações mais rápidas sobre os efeitos das importações e mecanismos que permitem a adoção de medidas quando houver indícios de que produtos beneficiados pelas preferências tarifárias não cumprem requisitos ambientais, sanitários ou trabalhistas equivalentes aos exigidos na UE. 

O posicionamento da ABPA surge em um contexto de negociações ainda delicadas entre UE e Mercosul, com membros europeus exigindo salvaguardas adicionais e reciprocidade antes de avançar com a assinatura do acordo comercial provisório. 

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