Copom reafirma juros altos por tempo prolongado para “domar” a inflação e alerta sobre riscos fiscais
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou, na ata da sua última reunião, que a taxa básica de juros (Selic) permanecerá em um patamar elevado por um período “bastante prolongado” como condição essencial para assegurar que a inflação volte a convergir para a meta.
Apesar de a inflação acumulada em 12 meses estar em queda, o documento observa que as expectativas de inflação permanecem acima da meta em todos os horizontes, o que exige cautela adicional na condução da política monetária.
O relatório ressalta que o Copom considera o cenário econômico atual caracterizado por um mercado de trabalho ainda bastante apertado, embora com sinais iniciais de desaquecimento — uma combinação que ainda demanda um viés mais restritivo de juros.
Além disso, a ata destaca a persistência da inflação de serviços, influenciada pela demanda interna e pelo mercado de trabalho dinâmico, o que mantém a autoridade monetária vigilante diante dos riscos.
O documento também menciona que o Copom não hesitará em retomar um ciclo de ajuste para cima caso julgue apropriado, caso as pressões inflacionárias se intensifiquem novamente.
Em outra parte da ata, o Banco Central chama atenção para riscos relacionados à trajetória da dívida pública e ao ritmo das reformas fiscais, que podem pressionar no futuro a taxa de juros “neutra” da economia se a disciplina fiscal for enfraquecida.
Com isso, a Selic deve permanecer em 15% ao ano, seu nível mais alto em quase duas décadas, por mais tempo do que muitos analistas previam, apesar de algumas pressões de setores da economia por cortes mais rápidos.



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