Gasto Social Infla Contas Públicas, Ameaça Meta Fiscal e Engessa Orçamento Brasileiro em 2026
O gasto social no Brasil deve crescer significativamente em 2026, complicando ainda mais as contas do governo federal e gerando preocupações sobre o cumprimento da meta fiscal e a rigidez do Orçamento aprovado pelo Congresso Nacional.
Segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026, o governo prevê R$ 158 bilhões para o Bolsa Família e **R$ 122 bilhões para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — benefício destinado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
Especialistas alertam que o crescimento dessas despesas sociais, em meio a um cenário eleitoral, pode dificultar o cumprimento da meta fiscal estipulada para o próximo ano, de superávit primário de 0,25% do PIB. Além disso, essas despesas obrigatórias consomem uma grande parte do orçamento federal — hoje cerca de **92% dos gastos são obrigatórios — engessando ainda mais a capacidade de investimentos públicos.
Analistas também apontam que o governo vem tentando compensar o aumento dos gastos com uma elevação da arrecadação, levando a carga tributária a patamares elevados — próxima de 32,3% do PIB, o maior em 15 anos —, mas essa estratégia pode estar próxima de seus limites.
De acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, o governo precisaria de um esforço fiscal adicional de cerca de R$ 79 bilhões para equilibrar as contas em 2026. Sem ampliar receitas ou cortar despesas obrigatórias, o mercado teme inclusive uma possível alteração da meta fiscal, o que abriria precedentes para flexibilizar a regra atual.
Outro ponto de atenção é que, com o crescimento contínuo das despesas sociais e previdenciárias, a parcela do orçamento destinada a gastos discricionários — aqueles que o governo pode escolher onde aplicar — tende a encolher ao longo dos próximos anos, reduzindo drasticamente recursos disponíveis para investimentos públicos.



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