Inflação de novembro acelera para 0,18% influenciada por passagens aéreas e custos diversos

São Paulo — O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial de inflação no Brasil, registrou alta de 0,18% em novembro de 2025, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O número representa uma aceleração em relação ao mês anterior, quando a inflação havia sido de 0,09%. 

Apesar desse avanço, o resultado é o menor para um mês de novembro desde 2018, quando o IPCA registrou deflação de -0,21%. No acumulado de 2025, a inflação soma 3,92%, enquanto em 12 meses o índice alcança 4,46%, voltando ao limite do teto da meta de inflação do governo, que é de 4,5% para o período. 

Principais fatores que impulsionaram a inflação

O principal impulsionador da aceleração da inflação em novembro foi o aumento no preço das passagens aéreas. O subitem registrou alta de 11,9%, contribuindo com cerca de 0,07 ponto percentual para o resultado total do IPCA no mês. Esse impacto foi significativo porque, mesmo sendo um item específico, sua variação foi grande o suficiente para influenciar o índice geral. 

Além das passagens, outros segmentos também exerceram influência positiva no índice:

Energia elétrica residencial – que subiu 1,27%, refletindo reajustes tarifários em várias regiões e contribuindo para elevar os preços no grupo de habitação.  Hospedagem e despesas pessoais – com alta em serviços de acomodação, em parte atribuída à demanda turísticas em eventos como a COP-30, impulsionando preços nessa categoria. 

O que caiu ou ajudou a conter a inflação

Apesar das pressões em alguns setores, outros grupos de produtos e serviços apresentaram variações que amenizaram a inflação geral:

O grupo Alimentação e bebidas voltou a apresentar leve queda (-0,01%), com destaque para itens como tomate, leite longa vida e arroz, que registraram quedas expressivas. Isso ajudou a compensar parte das altas vistas em serviços e energia.  Alimentos consumidos em casa mostraram queda pelo sexto mês consecutivo, com itens alimentares importantes recuando nos preços. 

Contexto e impacto

O resultado de novembro mostra um cenário em que a inflação está voltando a se situar dentro da meta estipulada pelo governo federal, após um período em que o índice ficou acima do teto de tolerância por meses. A combinação de quedas em produtos essenciais e altas em serviços e tarifas específicas ilustra a dinâmica atual dos preços no país, com pontos de pressão em alguns setores e alívio em outros. 

Especialistas observam que itens como passagens aéreas costumam ter grande volatilidade, influenciando significativamente o IPCA em meses específicos, sobretudo quando há eventos sazonais ou flutuações na demanda por viagens. Em contrapartida, a queda nos preços de alimentos básicos ajuda a conter a inflação em itens de grande peso na cesta de consumo das famílias brasileiras. 

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